Uma vida celebrada por todos nós
Uma história nascida em Chibuto, feita de família, trabalho, fé, força e amor. Bem-vindo à sua página.
Biografia
De Chibuto a Maputo, das machambas aos Caminhos de Ferro, da viuvez à liderança espiritual: uma história de coragem, trabalho e fé.
“Mãe de 9 filhos, avó de 20 netos e bisavó de incontáveis bisnetos.”
Uma vida contada em capítulos
Rosita Sitoe nasceu em Chibuto, filha de Obadias Sitoe e Titasse. Não viveu com a mãe; cresceu com o pai até aos 8 anos e depois foi viver em casa do tio Julião Sitoe, pai da Avó Roda.
Na infância, passou por vários lares e estudou na escola Santa Lúzia de Macunene. A sua história começa marcada por mudanças, adaptação e uma força que a acompanharia pela vida inteira.
Chegada a hora de casar, foi lobolada segundo o costume da época, sem conhecer antes o marido, Aurélio Mangolelane Mapsanganhe. Deste caminho nasceu uma grande família.
Em junho de 1957, Rosita mudou-se para Maputo, então Lourenço Marques, dando início a uma nova etapa de vida familiar e trabalho na cidade.
Nasceu a primeira filha, Vitória Mapsanganhe, também chamada Andeia, 'Wa Gona', nome dado em homenagem ao bisavô paterno. A família vivia no Bairro de Jardim, e Rosita trabalhava como vendedora e camponesa na machamba.
A 30 de janeiro de 1968, o Avô Aurélio sofreu um acidente grave. Ficou internado, passou pela reanimação e voltou para casa com o braço quebrado. Segundo a memória da família, depois disso já não era o mesmo.
Em 1970 nasceu Laura Rosa Mapsanganhe, a sexta filha. No mesmo ano, Rosita e Aurélio formalizaram o casamento religioso, ligado à aceitação do cargo de Evangelista pelo Avô Aurélio na igreja.
A independência marcou o país e antecedeu anos difíceis para muitas famílias. Na história da Avó Rosita, esse período aparece como pano de fundo de coragem, fé e resistência.
A família mudou-se para o Bairro de Infulene. O Avô Aurélio voltou a adoecer e faleceu a 8 de julho de 1977, depois de um mês internado. Rosita ficou viúva, com a filha mais velha ainda com 18 anos, no início dos anos duros da Guerra dos 16 Anos.
Com a guerra a aproximar-se de Infulene e perdas entre vizinhos próximos da zona da Avó Gilda, Rosita refugiou-se em casa de antigos vizinhos no Bairro de Jardim, perto da penitenciária BO. A família lembra também que Aurora Albertina teve de vestir roupa de menino para conseguir ficar na fila da lenha e levar lume para casa.
A família tentou que a filha mais velha, escrivã, fosse contratada pelos Caminhos de Ferro de Moçambique, mas quem acabou contratada foi Rosita. Com ajuda de um senhor que reescreveu a carta e do irmão Simião Sitoe, a candidatura chegou ao diretor dos CFM.
Rosita candidatou-se na FACIM, onde empresas recrutavam trabalhadores. Foram dias difíceis, com pernoitas até à meia-noite ou uma da manhã durante 15 dias. Em setembro de 1979, foi contratada como a última das 8 mulheres escolhidas.
Nesse período, a Sra. Amélia, irmã da igreja, apresentou Flávio Muchanga a Vitória Mapsanganhe. A Vovó Teresa, grande amiga da família, deu o ponto positivo ao pretendente. O lobolo aconteceu em 1978 e o casamento a 27 de janeiro de 1979.
Rosita trabalhou nos Caminhos de Ferro de Moçambique durante 14 anos. Foi uma fase de trabalho firme, responsabilidade e sustento, atravessada também por desafios de saúde nos últimos anos.
Com ajuda da amiga Avó Isabel, Rosita começou a frequentar a Igreja Zione Chilimbene Malhazine, Samaria, no Patrice. Ali tornou-se Superintendente e aprofundou o percurso espiritual que já vinha de muitos anos.
Rosita foi operada e passou 2 meses de repouso. Entre 1992 e 1993 viveu um período de doença contínua, já nos últimos anos de trabalho.
Reformou-se por motivo de saúde, sem completar os anos de trabalho previstos. Mesmo assim, a família recorda-a como uma mulher de força, sempre ativa e presente.
Começou a procurar terrenos para as suas machambas. Teve machamba no Bairro de Socimol e depois em Matlhemele, com ajuda de uma senhora amiga. Ao longo do tempo, perdeu alguns terrenos por questões estaduais, mas continuou ligada ao trabalho da terra.
Desde o casamento, o Avô Aurélio estabeleceu que a família deveria rezar. O casal passou pela Assembleia e depois aproximou-se dos Ziones. Papai Malate visitava a casa no Bairro de Jardim com a sua comitiva para orações, e uma das duas casas do lar passou a ser usada só para oração.
O casal serviu durante anos como Conselheiros. Depois, o Avô Aurélio aceitou o cargo de Evangelista, após várias visões e a unção para orar pelos outros. Depois da morte do marido, em 1977, Rosita continuou firme na igreja, atravessando mudanças de zona e congregação.
Hoje, Rosita é pastora da sua zona na Igreja Zione Chilimbene Malhazine Samaria. É mãe de 9 filhos, avó de 20 netos e bisavó de incontáveis bisnetos: uma vida de fé, trabalho, cuidado e família.
Fotos da Avó Rosita reunidas com carinho pelos netos e filhos.
A atualizar fotos do Google Drive…